Grande jogo. Grande vitória. Grande Ronaldo.
Esta imagem é fantástica e diz muito sobre o que se passou. Com licença. Deixem passar que eu vou ali marcar um golo.
A coisa até começou mal. Ou melhor bem, porque é um grande golo e porque nos acordou.
Os 10 a 15 minutos que se seguiram foram do melhor que já vi a selecção fazer. Conseguimos criar umas 5 claras oportunidades de tempo nesse período, o que é assinalável, pese embora as limitações da defesa holandesa.
O facto de também o termos conseguido fazer contra a poderosa Alemanha, deixa-me muito esperançado para o que aí vem.
Essa nossa pressão tem o seu clímax com o golo, aos 28min, já depois do Ronaldo ter enviado uma ao poste, 5 minutos depois do golo deles.
Recuperação de bola do Miguel Veloso, que faz tabela rápida com o Nani e passa para o João Pereira. Este faz um passe a rasgar absolutamente fantástico para o Ronaldo, que dá um toque para dominar e remata com convicção e classe, sem hipóteses para o guedes. Lindo.
A primeira parte continua empolgante. Com 1-1 atacámos muito mais do que com 0-0. Porquê? Porque nessa altura as palavras do treinador estão esquecidas e o que está na cabeça dos jogadores é dar a volta e ganhar o jogo. Foi uma primeira parte excelente e com um jogo tão aberto que se torna difícil manter alguma calma.
A confirmação daquela ideia da influência do treinador vem com o recomeço do jogo, depois da palestra ao intervalo. Não entrámos a jogar mal, mais estávamos bem menos impetuosos.
Continuámos a defender bem na segunda parte, com uma ou outra excepção, e a criar, com facilidade, oportunidades de golo. A do Nani é o expoente máximo, depois de jogada e passe delicioso do Ronaldo.
Também deu para ver pormenores como este. Uma delícia.
E, finalmente, o segundo golo.
Recuperação de bola do Miguel Veloso (again!), deixando para o Pepe que, ao contrário dele, estava de frente para o ataque. Pepe, a dois toques, dá rápido para o Ronaldo, que está a meio do nosso meio campo. Este passa para o Moutinho que estava a trás dele, mas o passe foi para a frente, o que imprime logo uma velocidade enorme à jogada. O Ronaldo depois de passar para o Moutinho, dispara para o ataque. O Moutinho, dá um toque para receber a bola e, no timing certo, faz o passe para o Nani. Este, de primeira, faz um passe de morte, a cruzar a defesa toda, para o Ronaldo, que não tinha abrandado desde que tinha feito o passe para o Moutinho. Com um toque e um pequeno jogo de corpo recebe a bola e fica à espera que o van der Wiel encoste o traseiro à relva (esse momento parece, mesmo em tempo real, algo como se fosse em câmara lenta. Parece que vemos a holandês a ter a perfeita noção do que lhe está a acontecer mas a ser incapaz de contrariar a primeira lei de Newton). Outro toque para ajeitar a bola e um terceiro para a meter na gaveta. Fantástico.

Até ao final ainda deu para ver o Ronaldo enviar mas uma ao poste, mas desta vez o guedes nem se mexeu. Foi pena. Era merecido.
Destaques:
Ronaldo - Claro. Nem é preciso dizer porquê.
Um pequeno aparte, desculpem:
Quando o vi marcar o golo ao Barça em Nou Camp, depois da época brutal que fez e oferecendo o título ao Real Madrid em casa do rival (a tal equipa maravilha impossível de derrotar), e fazer o que se vê em baixo, pensei: "é o maior". Ponto final.
O Mourinho já tinha atingido esse ponto há uns anos. O Ronaldo, para mim, foi nesse dia. Tenho um orgulho enorme no Ronaldo e no Mourinho e na sua brutal competência naquilo que fazem.
Mais o Mourinho, desculpem. Este é mesmo o maior, incontestado. Não tem nenhum Messi a ensombrá-lo. Não. O Pep não se compara. Ele que vá provar o que vale fora dali. Depois falamos e posso dar o braço a torcer. Por agora é o número um e a milhas do resto.
Acho incrível estes dois homens, sozinhos, fazerem com que quase todo o planeta saiba o nome de Portugal. E isto tem um impacto enorme no nosso país.
Nani - Apesar do falhanço incrível, continua a jogar muito. Dos melhores e sempre com uma atitude ofensiva.
Defesa - Contra um ataque destes, só ter permitido o que permitiu e ainda ter os dois laterais a aparecer com muito perigo no último terço do terreno, é notável. O João Pereira calou os críticos e o Coentrão voltou a ser muito perigoso e esteve à beira de marcar o 2-1. O Pepe está verdadeiramente imperial. Limpa tudo e lança tudo para o ataque. Um monstro. O Bruno Alves continua a fazer um europeu muito bom. Quase sem falhas ou faltas.
Miguel Veloso - Está nos dois golos e em inúmeras recuperações de bola e jogadas de ataque. Já o tinha dito, este homem tem potencial para ser um Paulo Sousa. Aliás, não é potencial é capacidade, pois já o provou. Só tem é que ser regular. E ainda pode ser decisivo num livre descaído para a direita.
Meireles - Está cansado o nosso careca tatuado. Jogou que se fartou no Chelsea este ano e teve um final de época extremamente exigente. Já no Porto era quase sempre substituído lá para os 70 minutos porque estava estoirado. Este ano o Di Matteo não quis saber disso e, do que me recordo, jogou jogos inteiros, uns atrás dos outros.
Em forma, é um jogador importantíssimo para a selecção (e para qualquer equipa. Não é por acaso que foi eleito pelos adeptos do Liverpool o melhor jogador da época anterior).
Mas, infelizmente, está de rastos. Gostei do Custódio. Entrou bem. Talvez possa ser uma solução. Isso ou o Viana. Nunca o Micael. Por favor.
Apesar de tudo, não esteve mal, pois ninguém esteve mal. Nem o Rolando, apesar de não me lembrar de o ver tocar na bola.
Postiga - Desculpem a insistência, mas a diferença não é óbvia quando entra o Oliveira? O ataque passa a ser mais inteligente, nem sei explicar porquê. No lance do segundo golo o Oliveira está sempre na jogada, mas não chega a tocar na bola. Teria dado com o Postiga? Ou teria, por exemplo, tentado chegar à bola no centro do Nani, e com isso acabar a jogada com um remate frouxo, provavelmente ao lado.
Em baixo, para memória futura, fica a minha Ficha de Jogo e as estatísticas da UEFA.
Uma nota final sobre o timing deste post:
Eu contava tê-lo feito mais cedo, mas, para além de um stress job-related que me obrigou a esquecer a existência do blogue no Domingo após o jogo, tive um problema relacionado com o crescente número de visitas ao Basel84. O primeiro texto que postei é de 27 de Maio. No dia 1 de Junho tive 8 visitas. No dia 6 bati o record com 120 visitas, só ultrapassado no dia 15 com 211. De repente, no dia 17, dia do jogo, tive 787 visitas.
E qual é o problema? O problema é que fiquei envergonhado e assustado. Escrever para ser lido por uma dúzia de pessoas, quase todas elas convidadas por mim por sms, é uma coisa. Escrever para ser lido por 800 pessoas num só dia, é muito diferente.
Ou deveria ser, pelo menos. Deveria ser melhor, mais bem escrito, com textos mais equilibrados e mais frequentes.
Lamento, mas aqui não há nada disso.
Vai continuar a ser escrito com as limitações visíveis, tanto na elaboração do texto como na capacidade de análise.
Também não há notícias na hora, informações privilegiadas ou conhecimentos enciclopédicos de bola.
É só isto que se vê. What You See is What You Get.
Não quis deixar dar esta explicação e baixar as expectativas dos visitantes.
Este crescendo deve ter sido um fogacho qualquer por causa da selecção e não tarda volto à dúzia de leitores. É mais fácil.
PeLiFe