15 de junho de 2012

As contas do apuramento e a Espanha nas meias finais

Desculpem, mas estas contas são mesmo f...lixadas.
Não pela complexidade, mas pelo resultado.


Como me estava a começar a custar acreditar, fui ler as regras.
Estão no site da UEFA, que pode ser acedido pelo novo link temporário que coloquei em cima à esquerda. O link é para o calendário, mas daí acede-se ao uefa.com e, em baixo à direita, está o link para os regulamentos.
Outra hipótese mais simples, mas não tão interessante pois não faz uso do brilhante link ali em cima à esquerda, é clicar aqui e abrir o pdf.
O que interessa é parte do artigo 8 e a minha tradução é esta:




Nos comentários do post anterior o António deixou-nos o link para este resumo do zerozero, mais claro do que o texto que tinha postado:



A conclusão dramática, que não vem bem explícita no quadro, talvez para não desanimar, é que mesmo que ganhemos dez a zero à Holanda, se a Dinamarca ganhar 3-2  à Alemanha, somos eliminados.
(3-2 ou 4-3, 5-4, ou por aí fora, desde que seja por um golo e com mais de 2 marcados)


A questão, justa ou injusta, é que não chegamos à alínea d) dos critérios. Como a Holanda não estaria na luta, os jogos com eles não contam puto.


Enfim é o que temos. Mas ainda fica mais confuso.


O 2º lugar do nosso grupo vai jogar com o 1º do grupo dos russos, checos e polacos. O vencedor desse jogo jogará as meia finais com a Espanha (se tudo continuar a correr bem com os nuestros hermanos).
O prémio de ficar em 1º lugar do grupo será, portanto, encontrar os espanhóis apenas na final.


Por um lado queremos assegurar o apuramento e a nossa melhor hipótese é a Alemanha ganhar. Bastar-nos-ia perder por um golo com a Holanda.


Por outro lado, a nossa única hipótese de ficar em 1º lugar (já falei do prémio Espanha, não já?) seria a Dinamarca ganhar aos alemães por 1 a 0 e nós ganharmos aos holandeses com dois golos de diferença (2-0, 3-1, ...). O critério seria, nesse único caso, o da alínea d).


Uma nota para o critério f). No ranking da UEFA estamos em 5º, a Alemanha em 3º e a Dinamarca em 13º. Já agora a Holanda está em 8º. Info sacada através do ainda mais fantástico link do Bert Kassies, ali à direita. [informação do ranking está errada. ver no fundo]


Tudo seria um pouco mais simples se tivéssemos espetado 3 secos à Dinamarca ou sacado um empate com a Alemanha. E tinha dado para ambos.


Espero não ter feito nenhum raciocínio errado, mas parece-me que as contas são de facto estas.
E são, como tinha dito, f...francamente lixadas.


Mas não fujamos do essencial. Não perder com a Holanda. Para inspiração deixo os golaços do nosso Maniche aos laranjas. Muito bom o do Mundial de 2006 e absolutamente fantástico o do Euro 2004.





PeLiFe


P.S. - Nos comentários, o António Costa alertou para este erro relativo ao ranking. De facto este é um ranking publicado também pela UEFA mas que obedece a regras especiais para cada fase final. Para além do local indicado pelo António Costa, o link para este ranking está ao lado do do link para os regulamentos no site da UEFA. Em baixo junto imagem, que inclui o sistema de cálculo. Para este ranking contam apenas os jogos disputados (qualificação ou fases finais) do Euro 2008 (20%), WorldCup 2010 (40%) e Euro 2012 (40%). Neste último, como é óbvio, só contam os jogos da qualificação. Obrigado António Costa e desculpem o erro estúpido.





14 de junho de 2012

Portugal 3 Dinamarca 2

Grande vitória. Grande Varela.
Com muito sofrimento, é verdade, mas sabe melhor assim.


Voltamos a mostrar que há ali espírito e talento para podermos ganhar a qualquer um.
Apesar do desacerto brutal do Ronaldo, marcámos três golos. Com um do improvável Postiga, que tinha sido uma nulidade e continuou a ser, e outro do "já crucificado" Varela.


Voltei a gostar. Gosto especialmente, como aliás referiu o PB, que apesar do empate a 5 minutos do fim, Portugal continue a jogar o seu jogo, sem desesperar e começar a bombear bolas para a área. Quantas vezes vimos isso no passado, quase sempre com resultados nulos?




Enfim, lá vamos apanhar os nosso velhos amigos holandeses. Que se mantenham simpáticos para nós nestes momentos. Achei-os muito fracos no jogo com a Alemanha, em particular nos últimos 10/15 minutos. Estavam a um golo do empate e não havia ninguém a acreditar.


Em baixo junto um texto, sacado da net, com as contas a fazer para o apuramento. Não verifiquei, mas parecem-me bem.




Vamos aos destaques.
  • good stuff
Nani - Melhor em campo. Jogou e fez jogar. Passe fantástico para o Ronaldo e a assistência para o golo do Postiga. E ainda conseguiu ajudar o João Pereira. Muito bom.


Varela - Grande golo. Depois de ter falhado contra a Alemanha e depois de ter falhado o remate de primeira, conseguiu sacar logo de seguida um remate daqueles. Brilhante. Tem um óptimo remate e não tem medo de falhar. Bom jogador para estes momentos.

Postiga - O golo. Típico Postiga. Não fez mais nada de jeito. Mas fez o essencial.

Pepe - Não fosse o segundo golo da Dinamarca, podia ter sido o melhor. Falhou nesse lance, mas de resto fez um grande jogo. Sempre a 200%. É um gosto de ver.
  • not so good stuff
Ronaldo - Ainda não foi desta. Fora os falhanços, não esteve mal. Mas que falhanços. Não ter mamado o guedes naquele segundo lance foi incompreensível. Espero que a inspiração lhe surja quando mais precisarmos.

Meireles - Não esteve mal, mas os remates não lhe estão a sair. E nós precisamos que saiam. Ou muito me engano ou não vem para casa em branco.

Defesa - O Bendtner marcou-nos 6 golos em 5 jogos. E hoje ainda podia ter marcado mais um e dava cabo de nós. Acho demais.


Junto a minha Ficha de Jogo e as Estatísticas e Classificação da UEFA.




PeLiFe

12 de junho de 2012

Portugal - Dinamarca: Breve Antevisão

Não é breve, é muito breve (será desta que consigo fazer um post curto?)


Que mudava para o jogo da Dinamarca? Aparentemente o PB não mudava nada.


Eu tirava o Postiga e punha o Nélson Oliveira a jogar.
De resto mantinha todos.
O espírito é que tem que ser o dos últimos 10 minutos contra a Alemanha, mas desde o início.




A bluegosfera que costumo ler não aprecia muito o Nélson Oliveira (NO) e falam muito em fretes ao Benfica, tendo em conta o reduzido tempo de jogo e os zero golos para o Campeonato.
Facto são factos e não há grande coisa a dizer. Stivéssemos avançados de jeito, o NO não seria convocado e, se fosse, na melhor das hipóteses jogaria uns breves minutos. O problema é que não temos.


O NO tem que ser visto em termos relativos e não absolutos. O importante é compará-lo com as alternativas que temos: Postiga e Hugo Almeida (estou a excluir a hipótese Ronaldo no meio ou jogar ele e o Nani sós na frente, como referi no post de há uns dias, pois o PB não parece estar para aí virado).
Olhando para os três, escolho o NO. Sem dúvida.
   
Para mim o NO vai ser o ponta de lança da selecção nos próximos 10 anos. Mas não é pelo que já jogou, é por aquilo que me parece que pode vir a jogar.


Posso estar enganado. No final da época de 2002/2003 eu também dizia que o Postiga, na altura com 20 anos, era bom jogador.




Já o Hugo Almeida nunca me enganou. Tem boa técnica e óptimo remate (pé e cabeça), mas não tem faro de golo e é limitadíssimo. A quantidade de vezes que faz a escolha errada (a quem passar, remate com força ou colocado, para um lado ou para o outro, passo ou remato, etc.) é incrível.




Já me alonguei, eu sei.


Quero apenas dizer que, apesar do que escrevi, gosto bastante dos dois rapazes. Acho que são ambos boas pessoas e, sendo ex-jogadores do FCP, não me lembro de os ouvir dizer alguma coisa que me chocasse sobre o nosso clube.
Espero que sejam muito felizes e que joguem futebol até não aguentarem.
Só não quero que joguem na selecção e, mais importante ainda, no FC Porto.


Para acabar, que fique registado que eu acho que vamos ganhar.
E cheira-me que o Ronaldo vai começar a brilhar e o NO ainda vai meter uma batata.


Ganhar com golos do Postiga ou do Almeida também serve.


POR-TU-GAL!


PeLiFe

10 de junho de 2012

Portugal 0 - Alemanha 1

Perdemos mas gostei.
Gosto pouco de vitórias morais e não é disso que se trata.


Fizemos um bom jogo, suportado em dois pontos que, para mim, são essenciais para que se produzam bons resultados (na maioria das vezes, claro).


O primeiro e mais importante é a segurança da defesa.
Para além do golo, recordo apenas um par de defesas do Patrício, de dificuldade relativamente reduzida. Contra uma Alemanha que tem que deixar no banco um Klose, é muito  bom. Estiveram seguros e não deixaram de atacar (quase só o Coentrão, eu sei, mas o Pereira ainda lá foi e com perigo).
Mesmo após o golo, naqueles 20 minutos em que tirámos o Meireles e fomos para a frente com tudo, conseguimos não ter a equipa muito desequilibrada atrás. Mesmo com o Kroos e o Klose fresquinhos, não conseguiram voltar a criar perigo.


Quanto ao golo, foi um lance de azar. O ressalto super manhoso nas costas/braço/perna? do Moutinho traiu por completo o Pepe, que estava a cobrir o Gomez. O João Pereira ainda aparece a tentar incomodar, mas é já em desespero pois ele estava a cobrir o Podolski. Até o Patrício voou bem, mas ela entrou mesmo ao canto. Não culpo ninguém no lance. 




O segundo ponto é a capacidade de criar oportunidades de golo. Tendo em conta o adversário que é, e a forma pouco atrevida como jogou, acho que criámos oportunidades em número suficiente.
Pena é que não tenhamos um ponta de lança ao nível do resto da equipa. Faz lembrar o Brasil de 82 com aquele miserável Serginho à frente duma equipa de sonho. Nós não somos assim tão bons nem o Serginho era assim tão inútil como o Postiga, mas percebe-se a ideia, certo?


Estou agora mais esperançado na selecção do que estava antes de começar o jogo. Acho que temos boas hipóteses de passar o grupo. É "só" ganhar os outros dois jogos. Na 4ª feira já vamos ver.


Para terminar, os destaques:

  • good stuff
Coentrão - O melhor em campo. Secou o Muller (que considero muito bom) e ainda fez umas poucas jogadas excelentes. Afinal não desaprendeu em Madrid. Estava com algum receio. No último Mundial foi, para mim, o nosso melhor jogador.


Centrais - Tanto o Pepe como Bruno Alves estiveram muito bem. Limparam tudo e quase sem fazer faltas. Não me recordo de falhanços. Se os houve, não terão sido relevantes.


Miguel Veloso - Esteve muito bem. Correu, cortou, lutou e construiu. A jogar assim o lugar é dele. Este homem pode valer muito mais do que um Génova. Não sei é se ele se vai dar ao trabalho.


Ronaldo - Quando teve bola, foi rápido e perigoso. Esforçou-se, desequilibrou, não fez fitas e não andou a pedir faltas.


Nélson Oliveira - Podem dizer que quase não se viu mas, mesmo assim, fez bem mais do que o Postiga e , no lance mais perigoso, conseguiu aguentar a bola, rodar e fazer o passe/centro que o Varela não conseguiu marcar. Não acusou a estreia (!) na selecção. O Postiga esteve mais "em jogo", mas essencialmente pelas estúpidas usuais faltas atacantes, incluindo aquela sobre o Neuer que deu amarelo.


Varela - Entrou muito bem. Sem medo e capaz de se envolver rapidamente em várias boas iniciativas de ataque. Pensei que o PB apostasse mais no Quaresma, mas pelos vistos não.

  • not so good Stuff
João Pereira - Apesar de não ter deixado que os alemães (Podolski) criassem grande perigo pelo seu lado, pareceu-me que foi o nosso jogador mais fraco. Pareceu algo desorientado e sem a raça que o caracteriza. Pena que já não tenha que se esforçar para tentar ser vendido.


PeLiFe

8 de junho de 2012

Selecção Nacional no Euro 2012

À semelhança de muitos portugueses, também eu sofro mais pelo meu clube do que pela selecção.

O que não quer dizer que não sofra, e muito, nestes momentos. Fases finais de europeus ou mundiais são de facto momentos únicos. O que começa hoje não é excepção.

Estive na Holanda em 2000, com o meu irmão e o meu pai, onde vimos a fantástica vitória contra a Inglaterra e a derrota incrível com a França nas meias finais (sim, a da mão do Abel Xavier e outras vergonhas).
Ambiente inesquecível. O mar laranja de povo na ruas de Amesterdão ou a amálgama incrível de adeptos com os seus cânticos na Grand Place de Bruxelas, são imagens que ficaram gravadas na memória.


E cá nos vemos a chegar novamente a este dilúvio de emoções durante 2 semanas, que se repete de 2 em dois anos à conta do Mundial.

E que dizer do nosso comportamento nos Europeus? Vejamos:


Nas 5 edições com apenas 4 equipas na fase final, nunca lá chegámos. Não surpreende.
Nas 4 edições com 8 equipas, só lá chegámos uma vez, mas brilhámos e com um pedaço de sorte, organização e "estofo", podíamos ter limpo aquilo. Tinha 14 anos e foi um sofrimento brutal. E apenas um par de meses depois do desgosto de Basileia. E nas duas vezes estava lá o fdp do Platini. Que jogador fabuloso e homem tão asqueroso. Divago. Voltemos ao europeu. Mas ficam as imagens do jogo com a França em 1984.


Desde que ficou com 16 equipas não falhámos o acesso (em 2004 não houve). Era (e esteve para ser) uma vergonha não estarmos entre as 16 melhores selecções da Europa.
A partir da próxima edição, em que serão 24 equipas, não vejo qual o interesse da fase de qualificação. Como vai ser? Num grupo de 4 equipas passam 3? E como vai ser a fase final? Joga-se durante o mesmo período? 4 jogos por dia? Enfim. veremos.

Pelo caminho ficam vergonhas como falhar o apuramento em 1992 com jogadores como Baía, João Pinto, Fernando Couto, Oceano, André, Vítor Paneira, Figo, Paulo Sousa, Paulo Futre, João Vieira Pinto ou Rui Barros, entre outros. Carimbo do incompetente do Queiroz.

Vergonha maior foi prenda da besta do Scolari em 2004. Perder duas vezes com a Grécia em casa com uma selecção daquelas. Inaceitável. Era a espinha dorsal do FC Porto campeão europeu (depois do teimoso dar o braço a torcer ao perdermos logo o primeiro jogo com a Grécia) com extras como o Figo, Rui Costa (para o banco, pois o Deco não dava hipóteses), Simão Sabrosa ou Cristiano Ronaldo. Acho que bastava ter levado o Baía que ganhávamos aquilo.


Em resumo, não tem sido mau e temos vindo a melhorar. Está na altura de passarmos a constar no ranking dos campeões europeus.


E agora? Como vai ser?


Depois do que foi o Mundial de 2002 na Coreia/Japão, não volto a entrar muito esperançado em fases finais.

Acho que, com alguma sorte e inspiração, temos boas hipóteses.
Temos óptimos jogadores, mas com algumas lacunas como o centro do ataque.
O facto do grupo ser forte também me dá esperanças. Outra vez 2002, 2004 e outros fantasmas de desastres perante facilidades e superação na adversidade.
É possível. Difícil, mas possível (A Dinamarca ganhou em 92 depois de ter sido repescada a menos de uma semana do início da fase final. Eram só 8 equipas, mas mostra bem que numa competição destas não é preciso assim tanto para conseguir brilhar).

E temos duas grandes vantagens relativamente ao passado recente: O Queiroz e o Scolari não estão lá.

E temos o melhor jogador do mundo: Ronaldo.


Não posso deixar de referir que não percebo algumas escolhas como o Ruben Micael, ficando o Manuel Fernandes de fora, ou o Hugo Almeida e o Postiga, com o João Tomás e o Nuno Gomes em casa. Mas pronto. Isso agora não interessa nada.

Os meus onzes para o europeu:


Na versão A é assumir que não temos ponta de lança e que o meio campo é uma preocupação.

Na versão B, já aflitos, que venha o miúdo. Nem me falem no acéfalo Hugo Almeida ou no desastrado Postiga. Só muito de vez em quando estas duas criaturas conseguem fazer alguma coisa de jeito (que bem vendidos pelo FCP. O Postiga por duas vezes. Só foi pena ter voltado. Ainda por cima pagámos e ficámos sem o Pedro Mendes. Mau demais).
Como não sei o que estão a jogar, na versão B talvez possa jogar o Custódio em vez do Veloso. Ou mesmo o Pepe, entrando o Rolando para central (Nunca, mas mesmo nunca, o Ricardo Costa. Outra venda fantástica do FCP).
Outra hipótese na frente seria o tridente Quaresma, Ronaldo e Nani.

Provavelmente o Paulo Bento não fará nada disto, mas o mais usual é a minha selecção ser diferente da do treinador. Já com o FC Porto é quase sempre a mesma coisa.

Let the games begin.

PeLiFe