8 de junho de 2012

Selecção Nacional no Euro 2012

À semelhança de muitos portugueses, também eu sofro mais pelo meu clube do que pela selecção.

O que não quer dizer que não sofra, e muito, nestes momentos. Fases finais de europeus ou mundiais são de facto momentos únicos. O que começa hoje não é excepção.

Estive na Holanda em 2000, com o meu irmão e o meu pai, onde vimos a fantástica vitória contra a Inglaterra e a derrota incrível com a França nas meias finais (sim, a da mão do Abel Xavier e outras vergonhas).
Ambiente inesquecível. O mar laranja de povo na ruas de Amesterdão ou a amálgama incrível de adeptos com os seus cânticos na Grand Place de Bruxelas, são imagens que ficaram gravadas na memória.


E cá nos vemos a chegar novamente a este dilúvio de emoções durante 2 semanas, que se repete de 2 em dois anos à conta do Mundial.

E que dizer do nosso comportamento nos Europeus? Vejamos:


Nas 5 edições com apenas 4 equipas na fase final, nunca lá chegámos. Não surpreende.
Nas 4 edições com 8 equipas, só lá chegámos uma vez, mas brilhámos e com um pedaço de sorte, organização e "estofo", podíamos ter limpo aquilo. Tinha 14 anos e foi um sofrimento brutal. E apenas um par de meses depois do desgosto de Basileia. E nas duas vezes estava lá o fdp do Platini. Que jogador fabuloso e homem tão asqueroso. Divago. Voltemos ao europeu. Mas ficam as imagens do jogo com a França em 1984.


Desde que ficou com 16 equipas não falhámos o acesso (em 2004 não houve). Era (e esteve para ser) uma vergonha não estarmos entre as 16 melhores selecções da Europa.
A partir da próxima edição, em que serão 24 equipas, não vejo qual o interesse da fase de qualificação. Como vai ser? Num grupo de 4 equipas passam 3? E como vai ser a fase final? Joga-se durante o mesmo período? 4 jogos por dia? Enfim. veremos.

Pelo caminho ficam vergonhas como falhar o apuramento em 1992 com jogadores como Baía, João Pinto, Fernando Couto, Oceano, André, Vítor Paneira, Figo, Paulo Sousa, Paulo Futre, João Vieira Pinto ou Rui Barros, entre outros. Carimbo do incompetente do Queiroz.

Vergonha maior foi prenda da besta do Scolari em 2004. Perder duas vezes com a Grécia em casa com uma selecção daquelas. Inaceitável. Era a espinha dorsal do FC Porto campeão europeu (depois do teimoso dar o braço a torcer ao perdermos logo o primeiro jogo com a Grécia) com extras como o Figo, Rui Costa (para o banco, pois o Deco não dava hipóteses), Simão Sabrosa ou Cristiano Ronaldo. Acho que bastava ter levado o Baía que ganhávamos aquilo.


Em resumo, não tem sido mau e temos vindo a melhorar. Está na altura de passarmos a constar no ranking dos campeões europeus.


E agora? Como vai ser?


Depois do que foi o Mundial de 2002 na Coreia/Japão, não volto a entrar muito esperançado em fases finais.

Acho que, com alguma sorte e inspiração, temos boas hipóteses.
Temos óptimos jogadores, mas com algumas lacunas como o centro do ataque.
O facto do grupo ser forte também me dá esperanças. Outra vez 2002, 2004 e outros fantasmas de desastres perante facilidades e superação na adversidade.
É possível. Difícil, mas possível (A Dinamarca ganhou em 92 depois de ter sido repescada a menos de uma semana do início da fase final. Eram só 8 equipas, mas mostra bem que numa competição destas não é preciso assim tanto para conseguir brilhar).

E temos duas grandes vantagens relativamente ao passado recente: O Queiroz e o Scolari não estão lá.

E temos o melhor jogador do mundo: Ronaldo.


Não posso deixar de referir que não percebo algumas escolhas como o Ruben Micael, ficando o Manuel Fernandes de fora, ou o Hugo Almeida e o Postiga, com o João Tomás e o Nuno Gomes em casa. Mas pronto. Isso agora não interessa nada.

Os meus onzes para o europeu:


Na versão A é assumir que não temos ponta de lança e que o meio campo é uma preocupação.

Na versão B, já aflitos, que venha o miúdo. Nem me falem no acéfalo Hugo Almeida ou no desastrado Postiga. Só muito de vez em quando estas duas criaturas conseguem fazer alguma coisa de jeito (que bem vendidos pelo FCP. O Postiga por duas vezes. Só foi pena ter voltado. Ainda por cima pagámos e ficámos sem o Pedro Mendes. Mau demais).
Como não sei o que estão a jogar, na versão B talvez possa jogar o Custódio em vez do Veloso. Ou mesmo o Pepe, entrando o Rolando para central (Nunca, mas mesmo nunca, o Ricardo Costa. Outra venda fantástica do FCP).
Outra hipótese na frente seria o tridente Quaresma, Ronaldo e Nani.

Provavelmente o Paulo Bento não fará nada disto, mas o mais usual é a minha selecção ser diferente da do treinador. Já com o FC Porto é quase sempre a mesma coisa.

Let the games begin.

PeLiFe

13 comentários:

  1. Boas,
    Cá estou eu a retribuir o comentário ...
    Pois é, eu também sofro muito mais pelo meu clube, mas muito mais mesmo ... claro que fico contente se a selecção ganhar, mas nunca a alegria será comparável a das vitórias do meu clube.
    Não tenho esperança nenhuma nesta selecção e até para dizer a verdade, nem me apetece ver os jogos... enfim, logo se vê o que acontece ...

    Cumprimentos

    Ana Andrade

    www.portistaacemporcento.blogspot.com
    www.artigosonlineanaandrade.blogspot.com

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    1. Obrigado Ana.

      Esperemos que nos surpreendam.

      Cumprimentos,
      PeLiFe

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  2. Grande trabalho.

    Em relação ao embate com a França em 1984 quero apenas recordar o grande maestro que abrilhantou este jogo de uma forma indelével na minha memória: Fernando Chalana. Aliás seria em grande parte resultado da sua exibição, que se consumou a sua transferência para o Bordéus, na altura seria a maior transferência de sempre (creio que cerca de 300.000 contos ou 1,5 milhões de Euros)...

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    1. Obrigado meu caro amigo.

      É verdade. Podia ter lembrado isso, tens toda a razão. A selecção era boa, mas se havia uma estrela era ele. Foi claramente o nosso melhor jogador. Ele e o Bento.

      Abraço.

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  3. Eu, não sei porquê, sofro muitíssimo com a selecção nacional! E não digam que sou menos benfiquista por causa disso... Quando os vejo com o equipamento da selecção até me esqueço das origens do Bruno Alves (vê lá ao que me leva a minha doença...).
    Como a selecção não pode ser: Artur, Maxi, Garay, Luisão, Coentrão (este é estrangeiro...), Javi, Witsel, Gaitan, Bruno César, Aimar e N. Oliveira, gostaria que fosse: R.Patricio, J. Pereira (como é que não há ninguém melhor que este na direita? Ao menos dá a litrada...), Pepe, Bruno Alves, Coentrão, Moutinho, Meireles, Viana, Nani, Ronaldo e Nelson Oliveira. Para a frente é que é o caminho! Se jogássemos assim contra a Alemanha tenho a impressão que levávamos 3 ou 4... Pena não poder jogar o Fernando do fcp!

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    1. Esse é que fazia uma falta tremenda. Com o Fernando e com o Falcão era trigo limpo farinha amparo.

      Será que vão dar hipótese ao miúdo? Espero que sim. Tenho muitas esperanças e ou muito me engano ou temos ponta de lança para os próximos 10 anos. Pena é que não seja nosso.

      Só espero não levar uma batata nos primeiros 20 minutos para os nossos acalmarem os nervos (e eu também). Depois, tudo pode acontecer.

      Venham eles!

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    2. E esqueci-me de comentar o filho do António!!! Como podes ter esse menino a titular nas duas equipas? Não posso com o gajo! E não está a jogar népia!

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    3. Eu faço a ressalva pois eu também não sei o que estão a jogar.
      Mas se estiverem ao melhor nível os dois, nem hesito.
      O Custódio nunca conseguirá, logo após uma recuperação de bola, fazer um passe de 20 ou 30m a desmarcar o Ronaldo ou o Nani. O Custódio pode dar outras coisas (e em algumas é melhor do que o Veloso), mas nunca vai poder dar isso.
      E parece-me que o nosso meio-campo vai precisar de fazer isso bem e rápido.
      O PB já disse hoje que não tem dúvidas sobre quem joga a 6. Apostará ele no Custódio logo à cabeça quando este que não jogou um jogo de qualificação com o resto do povo?
      Parece-me mais provável o Veloso que o Custódio. Até mesmo a solução com o Pepe em vez dos dois, entrando o Rolando para trás.
      A maioria dos treinadores têm a mania irritante de fazer diferente nos grande momentos. Veremos o que faz o PB.

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    4. E lembra-te dos livres directos à entrada da área descaídos para a direita. O Veloso é exímio. Não marcou no playoff?
      E os lances de bola parada, hoje em dia e nestas competições, não podiam ser mais importantes.
      Diga-se, no entanto, que o jogo de cabeça bem melhor do Custódio (e do Pepe nem se fala) também pode fazer a diferença em cantos a atacar e a defender...

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  4. Já agora, registo dois jogos da bola em que chorei por perdermos: França- Portugal em 1984 e Benfica-Carl Zeiss em 1981 para a Taça das Taças...

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  5. O 11 titular acabou por seguir quase a tua versão A, à excepção do Postiga (continua a ideia do jogador talismã dos Europeus... só faltam os dentes de alho pendurados no balneário como no tempo do Oliveira a treinador) que aparece em vez do Hugo Viana.

    Eu não percebo nada da tática da bola, mas tenho ouvido que a inclusão do Viana significa directamente a alteração do sistema de jogo ao qual a Selecção está habituada..

    O míudo acabou por entrar mas também não teve grande possibilidade de se mostrar.

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  6. Pois foi. O onze acabou por ser o mais óbvio e o da foto do post.

    O miúdo viu-se pouco, mas não esteve mal. Foi dele o centro para a melhor oportunidade.

    Pois eu também ouvi isso e, também não percebendo grande coisa de tácticas, percebo e concordo. Eu no desenho não fiz bem. Seria mais um 4132, com o Veloso a ser o "1" e o Viana no meio do Moutinho e do Meireles.
    A questão é que nada disto foi treinado. Nem o Hugo Viana lá andou, nem mesmo com o Carlos Martins, que podia também fazer essa posição. O Ruben também poderia, mas esse precisava de reaprender a jogar à bola.

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